domingo, 13 de junho de 2010

El Dorado do Parima: Em defesa do Ayahuasca, por uma Terra Sem Males.


Fujo agora do tema principal desse blog, pertinente à descoberta do extinto Lago Parima do El Dorado, para discorrer sobre um assunto indiretamente relacionado, que trata do inviolável direito de liberdade religiosa no concernente à utilização sacramental do Ayahuasca, diante das recentes perseguições de uma minoria política de inquisidores que, após o lamentável assassinato de Glauco Villas Boas, está tentando proibir tal uso para não indígenas. Peço que me compreendam os respeitáveis membros e líderes das grandes religiões, que em sua imensa maioria há muito tem sido norteados pelos princípios da honestidade, do ecumenismo e da tolerância religiosa, sendo os comentários um pouco duros que faço aqui não direcionados de nenhuma forma a estes, mas apenas aos que estão na contramão da história e lutam pelo fortalecimento do falido proibicionismo e pela perseguição religiosa. Na verdade, a legislação vigente no Brasil já cerceia em parte a liberdade religiosa em relação ao Ayahuasca, considerando que as organizações religiosas que o utilizam são as únicas de nossa nação a que não é permitido fazer catequese, o que denota um certo preconceito da sociedade e dos políticos nacionais em relação às culturas nativas de nosso país, que sempre tiveram em sua grande maioria a utilização de entéogenos como um aspecto indissociável de suas práticas religiosas. É permitido a outras igrejas que reconhecidamente extorquem os seus fiéis criarem gigantescas campanhas e missões catequéticas com exércitos de pregadores, enquanto isso é vedado às nossas religiões nativas que nunca tiveram um número muito grande de adeptos nem grandes pretensões financeiras, e que por direito tinham que ser tidas como patrimônios culturais, devendo, portanto, ser incentivadas, ao invés de tolhidas em sua liberdade de pregação. Outro caso em que a liberdade religiosa é restringida em relação às religiões utilizadoras de Ayahuasca trata da vedação ao turismo religioso que envolva a utilização dessa beberagem. Em países cujas culturas nativas utilizavam Ayahuasca como a Bolívia e o Peru essa modalidade de turismo é feita sem qualquer empedimento do Estado, existindo uma infinidade de sites de turismo desses países que incluem a categoria de "turismo espiritual", na qual são oferecidos oficialmente na programação rituais com o uso daquela beberagem ou do cactos San Pedro, considerando que as autoridades desses países entendem ser legítimo o interesse de centenas de milhares de pessoas de todo o mundo em experimentar estas plantas para fins religiosos. Em nosso país é pemitido a certas religiões neopentecostais que reconhecidamente extorquem e ludibriam seus fiéis fazerem gigantescos eventos turísticos, com a participação de caravanas de todo o Brasil, e normalmente com a presença de de dezenas de milhares deles aonde são realizados pretensos "milagres" que, na maioria das vezes não passam de hipnose, neurolinguística ou de puro charlatanismo, sendo tais milagres em série eficientes chamarizes para que os exaltados fiéis se animem a contribuir de forma mais generosa com o dízimo. Assim, milhares de fiéis seriamente adoentados param de tomar remédios crendo terem sido curados, quando, na verdade, foram vítimas de uma mera hipnose que, no máximo, pode mascarar temporariamente seus males, e isso é sem dúvida um caso de saúde pública muito mais preocupante do que aquele que envolve o Santo Daime. Não afirmo que nas igrejas neopentecostais não possam ocorrer autênticos milagres, contudo pode-se observar que o que muitas delas fazem é utilizar práticas bastante conhecidas pela psicologia comportamental a que tanto recorrem os livros de auto-ajuda, além de grandes psicólogos internacionais terem já afirmado oficialmente que muitas igrejas desse tipo utilizam técnicas de hipnose e sugestão mental, tendo algumas obtido tamanha sofisiticação a ponto de utilizar técnicas de neurolingística de Milton Erickson, Richard Bandler ,John Grinder, José Silva, entre outros, para produzir pretensos milagres em grande escala, sendo justamente os representantes políticos de tais igrejas os mesmos que perseguem em suas pregações os bem mais inocentes Santo Daime e Candomblé, com seus enteógenos sagrados Ayahuasca e Jurema , discriminado algo que deveria ser tido como Patrimônio Cultural Nacional e, por conseguinte, devidamente protegido contra quaisquer práticas discriminatórias. Quanto às religiões ayahuasqueiras, o que a legislação vigente brasileira faz é regulamentar seu uso de forma a conter e frear seu avanço, impondo entraves a sua prática e expansão, o que notadamente é anti-constitucional e já denota uma certa perseguição religiosa,ainda que não ostensiva. Agora, aquela minoria deseja piorar ainda mais as coisas e vedar a utilização do Ayahuasca para não indígenas. Dessa forma, o Direito Eclesiástico de Estado seria totalmente subvertido, uma vez que perseguiria de forma excludente religiões com influência nativa, enquanto incentivaria a prática das de origem estrangeira em detrimento daquelas. E isso só se sucede nos países que perseguem e exterminam suas culturas nativas, como no caso de uma nação que se diz avançada e de fato o é em muitos outros aspectos, mas que simplesmente destruiu e obliterou na imensa maioria de seus Estados sua cultura ancestral a fim de exaltar exclusivamente valores que a esta eram opostos, e não de integrá-los as seus paradigmas nativos de forma a contrabalancear-lhes e atingir um ponto de equilíbrio. Assim, devido em parte a isso, tal país que se diz avançado e de fato o é em vários aspectos se tornou o maior poluidor do mundo, além de ter se revestido com uma mórbida sede de poder que acabará por tornar-se a sua ruína, se é que já não está se tornando, sede esta completamente estranha a sua cultura nativa.
















Como participante da descoberta do extinto Lago Parima do El Dorado e pesquisador das tradições indígenas da América Latina exponho minha opinião pessoal sobre essa minoria política e religiosa retrógrada que, certamente motivada pela intolerância, pretende criar um tribunal de inquisição contra a nossa cultura nativa. Além disso, essa minoria política, se realizar os seus intentos, o que é muito difícil, agravará ainda mais a condição de nosso quase colapsado sistema penal, que está inflado a ponto de explodir, e que parece estar prestes a voltar-se contra nós, em razão de estar tal sistema numa situação extremamente periculosa por alimentar ainda mais o ódio da multidão de furiosos delinquentes encarcerados em condições muitissimo precárias que cresce tão violentamente a ponto de ter se duplicado nos últimos nove anos, segundo dados oficiais ,sendo uma das dez maiores do mundo, além de mostrar-se cada vez mais organizada, tendo formado uma das mais poderosas facções criminosas de todo o planeta. Primeiramente, como pesquisador das tradições nativas latino-americanas, devo dizer que o Ayahuasca, cujo próprio nome remete a um Imperador Inca, possui imenso valor cultural, sendo um dos símbolos maiores da Integração Cultural da América Latina, por simbolizar a irmanação e a difusão de conhecimentos de duas vias entre os indígenas brasileiros e os da Bolívia, Peru, Equador, Colômbia e Venezuela. Depois disso, devo dizer que uma das realidades do "homem civilizado brasileiro" que mais são contrárias aos paradigmas da imensa maioria dos indígenas da Amazônia, abaixo de de nossa irresponsabilidade ambiental e ganância, é o nosso falido sistema penal, possuindo tais indígenas plena autoridade para julgar tal sistema na mais justa medida, por terem atingido em sua maioria algo bem próximo do Ideal da Justiça entre os membros de suas respectivas culturas ,com o auxílio de seus princípios e códigos normativos sócio-religiosos, nos quais o uso sacramental de enteógenos exerce importante papel, de forma a reduzirem ao máximo a necessidade de práticas punitivas entre si, sendo a taxa de homicídios entre os indígenas etnia, a exemplo dos Yanomâmi, Macuxi, Tukano, etc. talvez inferior a de muitos países da Europa. Gostaria de no futuro ter a oportunidade de mostrar para um grande pajé e de registrar sua opinião sobre as atrocidades perpetradas por nossa sociedade apresentadas em documentários como "O Prisioneiro da Grade de Ferro ", uma premiadíssima obra prima feita pelos próprios presidiários do já extinto Carandiru enquanto este estava ativado, que mostra com absoluto realismo a situação do sistema penal brasileiro, além de revelar aos incautos a eminência de uma guerra civil com ares políticos, considerando que a poderosíssima facção criminosa tratada no referido documentário está cada vez mais organizada e pretensamente politizada, chamado-se entre si de "companheiros ", além de ter-se em conta de "Partido". Com certeza, o pajé que visse tal filme ficaria absolutamente chocado, além de poder demonstrar que dentro de sua sociedade a Justiça é praticada de forma quase ideal e não da forma demagógica e subvertida como a praticamos, em razão de que o seu sistema socio-religioso reduz ao mínimo a necessidade de práticas repressoras e, quando tem de utilizá-las, o faz em geral de forma bem mais humana e compassiva. Dentre muitas outras eficientes práticas preventivas utilizadas pelas culturas indígenas brasileiras em geral está a de não serem estas espancadoras e torturadoras de crianças como a nossa sociedade muitas vezes o é, além de não condená-las à supressão de suas necessidades básicas primordiais como o fazemos, e isso é uma das pincipais práticas preventivas por eles praticadas por nós esquecidas. Outra de suas grandes virtudes é a de não se explorarem mutuamente ,nem condenarem à miséria seus iguais através das mais-valia e da usura. Se esse filme fosse mostrado a um pajé especialista em Ayahuasca como o já falecido Gabriel Gentil, um verdadeiro luminar e grande intelectual dos Tukano, tenho a certeza que isso resultaria numa aula de educação com lições avançadas de antropologia para o "homem civilizado"brasileiro .E ,se porventura dissesse a tal pajé que produtores de Ayahuasca não indígenas podem vir a ser condenados a perecer em lugares como aquele extinto presídio, no caso do Projeto de Lei pertinente ser aprovado ,ele consideraria isso uma perversão da justiça e uma verdadeira guerra religiosa e cultural, contrária a tratados internacionais.

Que autoridade moral tem o "homem civilizado" para julgar as religiões indígenas utilizadoras de enteógenos da Amazônia, sendo que estas foram um importante instrumento para garantir que a imensa maioria dos que habitam essa floresta alcançassem dentro de suas respectivas culturas o Ideal de Justiça que nem mesmo almejamos, por considerarmos para nós utópico? Que autoridade temos nós para censurar os costumes indígenas, se é a nossa moribunda "civilização" quem está ameaçando o sagrado equilíbrio da vida planetária? Sendo assim, o Estado não tem o direito de reprimir os não indígenas que se inspirem em valores e práticas religiosas de nossa cultura nativa, considerando que muitos valores apregoados por nossa moribunda "civilização" estão sem qualquer dúvida nos conduzindo inexoravelmente para a maior crise até agora enfrentada pela raça humana, tendo nós consumido o nosso planeta como uma insaciável besta devoradora. Mas políticos inquisidores, induzidos por retrógradas motivações religiosas, ou ideológicas querem forçar a conversão dos poucos brasileiros que ainda se fazem adeptos de religiões sincretistas indígenas. Na verdade, eles devem olhar para as suas próprias religiões e para a cultura da usura de que são herdeiros, cuja história é manchada pelas mais cruentas guerras motivadas por uma insaciável ganância de poder e, sobretudo, para o insustentável problema do sistema penal e jurídico brasileiro, com seus bárbaros presídios e intermináveis filas processuais. Mais ainda, a fim de tentar evitar o eminente colapso de nosso sistema penal ,esses políticos devem ouvir com maior seriedade as reivindicações em grande parte legítimas de mudanças em nosso sistema penal fundamentadas nos Direitos Humanos feitas por aquela poderosíssima facção criminosa que está tomando ares políticos, pretensos ou não ,e se autodenominando de "Partido", ao invés de querer aumentar ainda mais as nossas intermináveis filas processuais e presídios com os milhares de pacíficos religiosos que continuariam legitimamente a utilizar o Ayhuasca por desobediência civil.

O fato dessa facção criminosa, se a admitirmos como organização em parte política, ser uma grande infratora dos Direitos Humanos ,não justifica que também o sejamos para com ela, pois, a partir do momento que violamos os seus direitos como o fazemos nos aproximamos deles em sua perversidade, assim ,somos irmãos na crueldade e na desgraça social, embora aparentemente estejamos do lado dos "mocinhos" e eles dos "bandidos" . A injustiça é praticada por ambas as partes, e todas são culpadas, embora em graus diversos, sendo apenas essa graduação de culpa que as distingue, desconsiderando aqui aquela categoria de bandidos disfarçados de mocinhos tão comum em diversas instiuições brasileiras , que colocamos numa classe particular, a de bandidos institucionalizados, por se diferem dos bandidos apenas por serem protegidos e resguardados por tais instituições, sem, porém, deixar de igualar-se àqueles em sua culpabilidade. Chegamos ao cúmulo de permitir que uma organização criminosa diminuisse drasticamente a violência gratuita, os estupros e os assassinatos dentro dos presídios, coisa que seria uma terefa para a sociedade e os políticos brasileiros, mas nos furtamos disso por sempre termos sido cúmplices daqueles que veêm os presídios como depósitos para isolamento de detentos, assim, nos eximimos de qualquer responsabilidade perante a preservação das vidas destes, o que diminui a distância da tênue fronteira entre os "mocinhos" e os "bandidos". Na verdade, se tais bandidos parassem de perpertrar injustificáveis homícidios gratuitos contra os bodes expiatórios e os que são culpados apenas por omissão, diminuiriam a ponto de tornar quase imperceptível essa tênue fronteira que nos separa. Sendo assim, cumpre a nós, antes de tudo, nos humanizarmos e implementarmos melhorias em nossos degenerados sistemas sociais e penais, antes de pensarmos em condenar ao cárcere os seguidores de aspectos religiosos da cultura Amazônica que contribuíram para que muitos de seus grupos indígenas se aproximassem do Ideal da Justiça que nunca nem mesmo vislumbramos claramente, seja ela de âmbito jurídico, social ou ambiental. Infelizmente ,um esquisofrênico que frequentava eventualmente o Santo Daime assassinou um de seus líderes religiosos, o que coloca seus membros em luto passageiro. Já, muitos líderes e membros igualmente esquisofrênicos das grandes religiões perpetraram ou perpetram verdadeiros massacres, sendo isso também digno de luto, porém, neste caso, logicamente tal luto deve ser proporcional à dimensão das atrocidades por tais religiões já cometidas, não obstante reconheça serem estas na atualidade compostas em sua maioria por muito respeitáveis líderes religiosos.

















quinta-feira, 10 de junho de 2010

A grande mídia brasileira demonstra imaturidade ao negligenciar o El Dorado do Parima.














Reconhecemos que a grande mídia é uma indústria, e, como tal, possui interesses acima de tudo e quase exclusivamente comerciais, sobretudo em países governados por políticos e legislações capitalistas, como é infelizmente o nosso caso, segundo a opinião particular do autor desse texto. O fato da grande mídia ser comercial em sua essência justificaria então a larga predominância do chamado besteirol em sua programação. Contudo, se compararmos duas grandes mídias quase puramente comerciais, como a americana e a brasileira, veremos que, apesar de em ambas predominar largamente o besteirol, na primeira vê-se que tal besteirol é impregnado de conteúdo patriótico e de afirmações recorrentes da grandeza da cultura nacional. Em quase toda a programação americana, seja jornalística ou de entretenimento, vê-se insistentemente ,seja de forma meramente insinuativa ou explícita, a afirmação da grandeza americana e um culto quase obcessivo ao "American Way of Life ". E, embora muitos possam discordar que seja culturalmente edificante aos Estados Unidos o "American Way of Life", todos terão que convir se mostrarem os valores expressos em seu conteúdo semântico econômica e estrategicamente edificantes, sendo estes um propulsor para o desenvolvimento financeiro dessa potência. Já , no caso do besteirol brasileiro, insinuamos valores que nos são adversos em todos os aspectos, sejam culturais, estratégicos ou econômicos. A imagem do "País do Jeitinho Brasileiro" é em certos aspectos contrária à do"American Way of Life ", e nos impele para a ruína econômica, considerando que , para crescermos financeiramente teremos que vencer a crise de caráter implícita em nosso símbolo nacional. Lembremos que o pedagógico e emblemático personagem "Zé Carioca" , com que fomos "educados" durante e após a segunda guerra, personagem este que foi estrategicamente elaborado para atender à política imperialista de dominação panamericana de Roosevelt, parece ter sido o precursor do símbolo do "Jetinho Brasileiro", tal como o conhecemos na atualidade, o que nos leva e cogitar a possibilidade de nossa identidade nacional ter sido artificialmente criada, ou, dizendo de forma mais apropriada, reforçada em seus aspectos mais nocivos. E quem se lembra dos "pedagógicos " filmes de Walt Disney "Alô, Amigos "feito em 1942 e dos "Três Cavaleiros" de 1945, que lançaram o Zé Carioca e outros personagens que caricaturam os latino-americanos, nos quais estes são sempre associados a vícios de caráter, no caso do primeiro tidas como indolência, permissividade moral, malandragem ,vagabundagem, enquanto os personagens americanos são exaltados em suas virtudes mais elevadas. Coincidência ou não, outra imagem adversa muito difundida em nosso besteirol e bem reforçada nos gibis do Zé Carioca é a do" País do Futebol", e isso nos leva a um patriotismo oscilante e instável, que nos faz exaltar com irracional e passageiro fervor a nossa nação em dias de vitória e a termos o nosso patriotismo derrocado em dias de derrota, levando-nos a um complexo de inferioridade nacional quando perdemos. Quando nossa seleção está em campo, ela não é como um outro time qualquer, pois se reveste de algo a ela transcendendente, não sendo uma mera seleção de futebol, mas o símbolo vivo e personificado de um país em campo. Se comparamos a seleção brasileira com o "Dream Team",o análogo internacional mais próximo daquela, veremos que a primeira é um símbolo nacional, enquanto o segundo é de importância secundária para a formação da identidade cultural americana, que não é oscilante, mas de solidez tamanha que mantem-se quase inexpugnável mesmo nos momentos de perigosas crises.

Nossa mídia, na qualidade de indústria capitalista, só amadurecerá como tal, a partir do momento em que começar a entender a supracitada diferença entre o "besteirol" brasileiro e o americano. Um Símbolo Nacional edificante sem dúvida é um importante impulsionador da economia de um povo e, por conseguinte, de sua mídia, que muito ganharia com o crescimento do poder econômico da nação em que é sediada decorrente de sua consolidação. Somente a imagem da Amazônia é mais célebre no exterior do que o nosso futebol e Carnaval. Mas, como dissemos na postagem anterior,o Brasil desconhece a cultura amazônica,uma vez que condenou ao esquecimento seus aspectos culturais maiores. Se o Símbolo Nacional do Brasil fosse associado aos nossos aspectos culturais maiores, seríamos o País do El Dorado ou o País das Amazonas, e não o do futebol, do Carnaval e do Jeitinho Brasileiro. Então, hoje em dia teríamos desenvolvido , incorporado e adaptado para o mundo moderno os paradigmas que refletem a grandeza de nossa verdadeira cultura, paradigmas estes reverenciados em filmes como o "Avatar", por representarem um arquétipo coletivo que poderia salvar a nossa civilização do estrondoso colapso que está cada vez mais eminente. Mas, os aspectos maiores da cultura da Amazônia como o El Dorado e as Amazonas foram esquecidos pela mídia e pela sociedade brasileiras. Não afirmamos que a grande mídia brasileira deveria ter recebido a descoberta do extinto Lago Parima do El Dorado como algo comprovado, pois esta deve tratar de um assunto de tamanha seriedade com extrema cautela, para não correr o risco de divulgar como comprovado algo que poderia ser apenas uma teoria engenhosa. Sendo assim , a grande mídia não deveria tê-la ignorado, mas a divulgado a título de mera teoria engenhosa defendida por especialistas mundialmente qualificados nos campos específicos, a fim de que a nossa sociedade clamasse por projetos de pesquisas que visassem comprovar ou contestar definitivamente aquela. Mas ,a grande mídia resolveu ignorar esse assunto por considerá-lo tabu e por desconhecer totalmente as menções históricas pertinentes ao El Dorado, também tidas como tabu por nosso meio acadêmico. Seja obra do acaso ou não, o El Dorado e as Amazonas são temas tabus para a mídia e o meio acadêmico brasileiros, assim permanecem como símbolos latentes e mortificados os únicos arquétipos coletivos brasileiros que se equiparam em sua celebridade ao emblema do país do Carnaval, do Futebol, do Zé Carioca e do Jeitinho Brasileiro. É preciso que a nossa grande mídia e o nosso meio acadêmico se desvinculem desse preconceito, a fim de que a nossa ciência possa trazer à luz aquilo que algum dia poderá tornar-se um Símbolo Nacional dotado de tamanha força a ponto de atenuar as mazelas causadas pelo contínuo reforço midiático dos símbolos nacionais adversos que artificialmente consolidamos. O desenho abaixo, endossado pelas denúncias de Generais do Exército que temos em conta de verdadeiros Heróis Nacionais, mostra o quanto pode nos custar a omissão da mídia brasileira em relação a esse assunto.











terça-feira, 8 de junho de 2010

Os mapas antigos situam o Lago Parima(e) do El Dorado em Roraima e na Guiana, na região em que comprovamos ter este existido no passado recente.


A exemplo desse mapa (Bonne´s Map), feito em 1780, os cartógrafos antigos colocavam na antiga Guiana o gigantesco mar interior salgado chamado de Lago Parima(e), Manoa , Rupununi ou Mar Branco, tido historicamente como marco geográfico do mundialmente célebre El Dorado, situando este e outros mapas tal lago na exata região de savana amazônica plana e parcialmente alagável na atualidade de Roraima e da Guiana em que descobrimos ter existido um gigantesco lago salobro recentemente extinto, o que nos leva fatalmente à identificá-lo com aquele. Isso mostra ser incoerente ou precipitada qualquer associação dos geoglifos do Acre ao El Dorado, assunto sobre o qual tratamos nas postagens anteriores.Nesse mapa ,vê-se claramente que o Lago Parima(e) se situava na " Prov. de Guyane ", sendo atingido pelo Rio Branco (R. Blanco), também chamado nesse e em outros mapas de "R. Parime", possuindo o mesmo nome do Lago do El Dorado em razão de atingí-lo, tal como afirmado de forma recorrente pelas menções históricas.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

São infundadas e até agora não comprovadas quaisquer hipóteses que associem os Geoglifos do Acre ao El Dorado.

Hipóteses como a mencionada na postagem anterior, até agora destituídas de provas, estão desviando as atenções da região comprovadamente relacionada ao El Dorado, situada em Roraima e na Guiana, aonde foi descoberto o extinto Lago Parima, tido historicamente como o marco geográfico daquele. Pedimos aos pesquisadores relacionados que sejam mais comedidos em suas declarações até encontrarem evidências convincentes, a fim de que a região comprovadamente associada ao El Dorado não seja negligenciada pelas autoridades brasileiras em virtude desse desvio de foco. Por causa dessas declarações precipitadas, as autoridades brasileiras estão preterindo a região comprovadamente relacionada ao El Dorado em favor de outra localidade, cuja associação com aquele é meramente hipotética.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Afinal, o El Dorado se situa na região do extinto Lago Parima de Roraima e da Guiana ou no complexo de geoglifos do Acre e de Rondônia?


Recentemente, temos visto artigos como aqueles publicados no Antiquity e no The Guardian que associam os Geoglifos do Acre ao El Dorado, o que tem levado a uma grande confusão sobre o esse tema, uma vez que historicamente a localização clássica deste não é colocada na supracitada região, e sim em Roraima e na Guiana, no local aonde os mapas antigos o situavam e em que foi por nós descoberto aquele que era tido historicamente seu marco geográfico, o gigantesco mar interior extinto chamado de Lago Parima (e), Manoa, Rupununi ou White Sea. Como membros da equipe de Roland Stevenson e descobridores do extinto Lago Parima, cumpre a nós tentar lançar algumas luzes sobre esse tema que, após tais artigos, tornou-se ainda mais intrincado. A arqueóloga reponsável por essa teoria parece estar desfigurando um mito para adaptá-lo as suas concepções em parte comprovadamente equivocadas. É certo que os estudos da arqueóloga responsável por essa teoria estão contribuindo para o esclarecimento do tema respeitante ao Reino dos Omáguas, às vezes chamado historicamente de El Dorado dos Omáguas, contudo ,quanto ao mundialmente célebre El Dorado, o de Paititi e do Lago Parima, ela simplesmente subverte e distorce o mito,assim como as menções históricas pertinentes, de forma a adaptá-los as suas necessidades. Elogiamos o meritosíssimo trabalho dessa arqueóloga sobre o Reino dos Omáguas, contudo comprovamos estar inteiramente equivocada a maior parte seu trabalho em relação àquele que constitui o mundialmente celebre El Dorado dos Incas, ou seja, o El Dorado do Lago Parima, Manoa ou Rupununi.

Em primeiro lugar ,devemos esclarecer que não descartamos a possibilidade de existirem duas regiões distintas que possam representar a silhueta histórica do mito do El Dorado, além, é claro, da região do Lago Guatavita da Colômbia, que deu origem primeva a esse termo. Nesse caso hipotético, os Incas teriam conquistado e se estabelecido em parte de Rondônia e do Acre, se apossando da grande província mineral existente nessa localidade, da mesma forma que comprovadamente o fizeram na região que compõe o El Dorado do Lago Parima de Roraima e da Guiana .Assim, hipoteticamente, o El Dorado seria uma mitificação de duas realidades históricas concretas e diversas, representadas por ponteiros do Império Inca situados nessas duas grandes províncias minerais distintas da Amazônia. Então, a região dos Geoglifos do Acre seria associada ao El Dorado do Paititi ,enquanto a de Roraima e da Guiana seria associada ao El Dorado do Parima ou de Manoa, tal como comprovadamente o foi, a partir do momento em que ocorreu a descoberta do extinto Lago Parima. De fato, muitos especialistas em El Dorado mundialmente reconhecidos, como o antropólogo membro de nossa equipe Gregory Deyermenjian, distinguem o El Dorado do Paititi do El Dorado do Parima, colocando cada qual em uma dessas respectivas localidades. Contudo , o Dr. Deyermejian tem o El Dorado do Parima como a mitificação de uma realidade histórica concreta, ao passo que considera o El Dorado do Paititi até agora meramente hipotético, sendo nós concordantes com sua posição. Não obstante, em certos casos, como no da Relação de Alvarez Maldonado(1568) citada de forma distorcida pela arqueóloga responsável por aquela teoria, o El Dorado de Paititi é identificado com um gigantesco lago (Lago Parima(e) ou Manoa), sendo por ele situado claramente numa região muito próxima ao Mar do Norte como o colocamos em uníssono com os mapas antigos, e não na localidade apontada por tal arqueóloga. É preciso fazer um aparte, porém,afirmando que na Relação de Alvarez Maldonado, a localização de tal lago não é colocada com grande precisão, ao contrário de diversos mapas antigos e menções históricas, que colocam esse lago(Parima) no exato local em que o situamos. Então, em certos casos excepcionais, como no daquela Relação ,o El Dorado do Parima parece ser associado ao El Dorado de Paititi, o que dificulta ainda mais a comprovação do trabalho daquela arqueóloga. Pior ainda para os defensores daquela teoria é quando essa arqueóloga afirma através de evasivos malabarismos teóricos sem qualquer fundamento que o Lago Parima é o Rio Amazonas, e isso mostra-se totalmente descabido. É terrivelmente forçado e não faz qualquer sentido tentar associar o Lago Parima ao Rio Amazonas ,isso violenta as inúmeras menções históricas respeitantes ao Lago Parima. Lembremos que os maiores naturalistas e geógrafos do sec. XIX, após investigarem profundamente as mençoes históricas e tradições indígenas relacionadas, concluiram que a lenda do Lago Parima havia tido origem na mesma região de que tratamos.Não perderemos tempo aqui tentando explicar em poucas linhas essa teoria descabida, pois nem a sua criadora conseguiu explicá-la satisfatoriamente num artigo de várias páginas.Dizemos apenas que, se foi por nós descoberto um imenso lago extinto na exata região tida historicamente como a localização clássica do gigantesco Lago Parima, aquela teoria está com toda certeza equivocada.

Lembremos serem até onde sabemos inexistentes as menções históricas que situam o El Dorado do Parima na região amazônica fronteiriça entre o Brasil, Peru e Bolívia, ao passo que são muitíssimo abundantes e precisas as menções históricas que situam o El Dorado do Lago Parima na antiga Guiana, abaixo da Serra Pacaraima e a oriente da grande Serra Parima, que inclusive até hoje possui o nome que os indígenas Caribe davam ao gigantesco lago salgado do El Dorado, significando Serra do Lago Grande, devido certamente ao fato de que, na época em que esta foi denominada pelos indígenas, de seu cimo o gigantesco lago recentemente extinto por nós descoberto ainda podia ser observado na linha do horizonte.Não é à toa que o rio Branco(RR) chamava-se rio Parima (e), segundo diversas menções históricas e mapas antigos,além do que diversos rios da região conservam essa mesma nomeclatura até os dias de hoje. Embora a supracitada relação de Alvarez Maldonado não seja tão clara quanto a localização daquele lago, diversas outras apontam essa localização com absoluta clareza. Tanto que, por três séculos ,essa região que atualmente compõe parte de Roraima e da Guiana permaneceu nos mapas antigos como sendo a localização do Lago Parima do El Dorado. Sem qualquer dúvida é essa, e não aquela, a região que pode ser tida como a localização histórica clássica do El Dorado. Indubitavelmente, era nessa região que os Incas, Caribe, Macuxi, Achauá, entre outros, diziam existir o El Dorado do Parima ou de Manoa, que tinha como marco esse gigantesco lago, o que é comprovado por inúmeras menções dos cronistas coloniais, tendo sido este o principal motivo dos mapas antigos colocarem aquele na referida localidade. Já, nenhum mapa antigo coloca o El Dorado na região fronteiriça Brasil-Peru-Bolívia, o que dará bastante trabalho aos pesquisadores que desejem comprovar aquela hipótese, a não ser que encontrem a até agora mítica metrópole Inca. O problema daquela hipótese é a ausência de menções históricas ou mapas antigos que coloquem o El Dorado, seja de Paititi ou do Parima, na região por ela proposta, o que pode indicar ter sido esta apenas uma das províncias minerais auríferas utilizadas pelos Incas, e não aquela que legitimamamente pode ser associada à Província Mineral do El Dorado, mesmo que os pesquisadores comprovem terem os Incas utilizado também os minerais da primeira advindos.

Não obstante, a hipótese que associa a região dos Geoglifos do Acre ao El Dorado do Paititi pode sem qualquer problema estar pelo menos em parte correta, sendo bastante possível que os Incas conhecessem e utilizassem também a grande província mineral existente no Acre e em Rondônia. Se levarmos em conta terem sido encontradas em Rondônia armas Incas feitas em esmeralda originária da Colômbia, além das estradas de pedra possivelmente Incas de Rolim de Moura e os muros da Serra da Muralha de Abunã, admitimos ser plausível, porém ainda muito distante, a hipótese que associa essa região ao El Dorado do Paititi. Mas, obviamente ,os geoglifos não são associados aos Incas nem ao El Dorado, simplesmente por serem em sua maioria anteriores a estes, o que mostra ser até agora extremamente forçada qualquer associação direta de tais geoglifos àquele. Ora, devemos lembrar que o próprio termo El Dorado , seja do Parima ou de Paititi, remete a uma grande colônia Inca e a uma grande província mineral Inca, e não a algo relacionado aos pre-incas ou a outros povos . Não queremos desmerecer o imenso valor cultural dos geoglifos do Acre, os quais constituem a segunda maior descoberta do Brasil nos campos específicos por comprovarem a existência do antes mítico Reino dos Omáguas, perdendo apenas em importância para a descoberta do Lago Parima, pois esta comprova possuir o mito do El Dorado uma fundamentação histórica. Dizemos apenas que a imensa maioria destes geoglifos são anteriores aos Incas ,não podendo, por isso, serem eles associados ao El Dorado do Paititi, a menos que sejam encontrados artefatos Incas no subsolo destes, provando a sua ocupação por tal povo. Lembremos que o próprio nome Paititi remete direta e fatalmente aos Incas. Então, não podemos relacionar ao termo El Dorado de Paititi quaisquer vestígios que comprovem a existência de civilizações pré-cabralinas com avançado nível técnico nessa região da Amazônia brasileira, a menos que tais vestígios sejam de procedência Inca e que comprovem terem estes conquistado a região pertinente e utilizado sua província mineral. E ,ainda assim, mesmo que tais vestígios fossem encontrados dentro dos geoglifos, restariam dúvidas a respeito de uma eventual relação destes para como o El Dorado do Paititi. Ao que tudo indica, os geoglifos e lagoas artificais descobertas naquela região fornteiriça representam a silhueta histórica de uma cultura chamada historicamente de Reino dos Gran Moxos ou Reino dos Omáguas, e não ao El Dorado de Paititi, uma vez que este é indissociavelmente relacionado aos Incas. Certamente, o Reino dos Omáguas tomou emprestado por breves momentos da história o nome daquele, tendo sido chamado historicamente de "El Dorado dos Omáguas", contudo todos hão de convir que este mito não atingiu nem a décima parte da repercussão mundial do El Dorado Inca, representado pelo de Paititi e do Lago Parima ou Manoa. Para nós e para todo mundo, o El Dorado é associado aos Incas, e não aos tão pouco conhecidos Omáguas. Com efeito ,o El Dorado dos Omáguas é de importância histórica secundária se comparado ao primeiro, jamais podendo equiparar-se em sua celebridade e valor cultural ao El Dorado do Parima e de Manoa.

Sendo assim, para lançar-se a difícil tarefa comprovar a hipótese de que a supracitada região de Rondônia e do Acre representa a silhueta histórica do El Dorado de Paititi, os pesquisadores devem concentrar-se em encontrar mais sítios Incas que indiquem ter sido ela conquistada e explorada em suas jazidas minerais por tal povo, de forma a não colocar os Geoglifos em si mesmos como os sustentáculos de tal associação, o que seria bastante forçado e descabido, a menos que fosse comprovado que os Incas os ocuparam e utilizaram. Ainda assim, restará aos pesquisadores a difícil missão de comprovar ser essa a Província Mineral do El Dorado do Paititi, e não apenas uma das províncias minerais ordinárias dos Incas,levando em conta a ausência de menções históricas e de mapas antigos que o coloquem nesse local. Quanto à Serra da Muralha, devemos lembrar que seu estilo arquitetônico remete mais aos pré-incas do que aos Incas da região fronteiriça da Bolívia e Peru. Portanto, somente após serem realizadas escavações na Serra da Muralha (RO) poderemos cogitar sobriamente sobre a possibilidade desta ter de fato alguma relação com o El Dorado do Paititi, considerando que se for de procedência pré-inca tal relação não poderá ser afirmada, a menos que achados indiquem ter sido ela ocupada pelos Incas. Da mesma forma, enquanto não forem feitas escavações nas estradas provavelmente Incas de Rolim de Moura(RO) não se poderá afirmar de forma mais embasada tal relação. As armas de esmeralda Incas descobertas em Rondônia comprovam apenas a presença desse povo na região determinada, o que por si só já é muito importante, indicando que houveram lutas para conquista territorial visando a expansão do Império Inca, mas ainda é cedo para afirmar categoricamente que o El Dorado do Paititi possui fundamentação histórica comprovada pelos achados de qualquer ordem dessa região. As estradas de pedra, ao que tudo indica pré-colombianas, encontradas em Rolim de Moura, representam muito provavelmente as vias utilizadas estrategicamente pelos Incas para consecução de seus propósitos de expansão territorial, mas ainda é muito cedo para irmos além disso e afirmarmos precipitadamente ter sido descoberto o El Dorado de Paititi. De qualquer forma ,parabenizamos os desbravadores daquilo que, caso novas pesquisas o comprovarem futuramente, pode constituir de fato a fundamentação histórica do El Dorado do Paititi. Já ,quanto à fundamentação histórica do El Dorado do Parima, podemos afirmar ter sido esta definitivamente comprovada, a partir do momento em que foram descobertas imensas jazidas auríferas, diamaníferas e de gemas preciosas de aluvião e subsolo na exata localização em que as menções históricas situavam a Província Mineral do El Dorado do Parima e , sobretudo, a partir do descobrimento do gigantesco extinto Lago Parima que era o marco geográfico daquela, a menos que tal descoberta não tenha ocorrido ,mas esse não é caso, considerando que provas de diversas ordens, algumas enunciadas no decorrer desse blog, comprovam definitivavente que aquele lago existiu de fato no passado ,não tendo sido antes descoberto em razão de ter se secado. E, se assomarmos a descoberta do gigantesco extinto Lago Parima e da gigantesca província mineral situada em seu entorno as provas de âmbito histórico, arqueológico, linguístico ,antropológico e etnológico acerca da presença Inca em Roraima, sobre as quais continuaremos a tratar no decorrer desse blog ,podemos ter absoluta certeza de que o El Dorado do Parima não é uma mera lenda, mas a mitificação de uma realidade histórica comprovada.








sexta-feira, 14 de maio de 2010

Roland Stevenson, o descobridor que restituiu a nós o capítulo mais grandioso de nossa história.


A contribuição colossal de Roland Stevenson para a cultura e a ciência brasileiras não se resume à grande descoberta do extinto Lago Parima do El Dorado, extravasando em muito tal descobimento de importância sem precedentes em nosso país nos campos que a este são respeitantes. Podemos dizer sem exageros que Roland Stevenson revolucionou a história ,a antropologia, a etnologia ,a geografia e a arqueologia de nosso país, desvelando-nos um passado de grandeza nunca antes por nós brasileiros plenamente vislumbrada. Confere ainda maior valor ao trabalho hercúleo de Stevenson o fato de que todas as suas descobertas e teorias foram retratadas artisticamente através de suas pinturas de virtuosíssima técnica, portanto ,podemos afirmar que Stevenson revolucionou também as artes plásticas brasileiras.Quando comparamos Roland Stevenson à Leonardo da Vincci não temos a pretensão de afirmar que aquele alçou altitudes tão elevadas quanto este, não obstante, fazemos tal comparação em razão de que em ambos um muitíssimo atilado espírito de artista, de cientista e de grande descobridor com total domínio nesses campos forma um todo coerente e maior, conferindo ao trabalho destes importância ímpar. Mas, pensando bem, para não sermos demagogos e não faltarmos com a sinceridade junto aos tão estimados leitores e a Roland Stevenson, confessamos que por vezes nos vemos tentados a incorrer no provável excesso de afirmar que este tenha chegado muito próximo de atingir os excelsos patamares do mestre da Vincci, porém nos calamos para não soarmos demasiadamente pedantes junto àqueles que desconhecem o trabalho do primeiro , ou diante dos que se comprazem em diminuir o valor da cultura brasileira. A contribuição de Roland Stevenson para a nossa cultura deve ser tida como do porte daquela dos gigantes imortais como Villa Lobos, Tom Jobim, Guimarães Rosa, etc. Quanto a essa afirmação, a fazemos sem medo de parecermos pretenciosos, tendo a certeza de que aqui expomos a justa medida da importância do trabalho daquele. Acreditamos de forma bastante fundamentada que raríssimos ícones brasileiros vivos tenham prestado uma contribuição para a cultura de nosso país do porte daquela realizada por Stevenson. Esperamos que o Brasil não cometa o vitando crime de deixar para a posteridade o reconhecimento da dimensão dessa hercúlea contribuição para a cultura e ciência desse país. Para aqueles que acharem que cometemos excessos em nossos exaltados elogios a Stevenson, devemos dizer que diminuir o valor da sua contribuição para a nossa cultura é o mesmo que diminuir e negar a grandeza desta em si mesma.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Pedra do Sol : mais uma prova acerca da presença Inca pré-colombiana na região do El Dorado do Parima.


Os descobridores do extinto Lago Parima do El Dorado elogiam a iniciativa do IPHAN e dos órgãos muncipais de São Luis de Anauá rumo ao reconhecimento da Pedra do Sol como sítio arqueológico Inca. Esse deve ser o primeiro passo dos órgãos competentes rumo ao reconhecimento da presença Inca pré-colombiana na região do El Dorado do Parima. Abaixo, segue um artigo sobre essa louvável inciativa:


Folha de Boa Vista

LUANY DIAS
SÃO LUÍS DO ANAUÁ

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Sítio arqueológico Pedra do Sol fica em uma propriedade particular
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Não se tem ideia de quantos sítios arqueológicos existem em Roraima, porém 85 locais onde ficaram preservados testemunhos de evidências de atividades do passado histórico já foram cadastrados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no Estado, que acaba de registrar mais um sítio, denominado Pedra do Sol.

Na quinta-feira e sexta-feira passadas, uma equipe do Iphan visitou São Luís do Anauá, Sudeste do Estado, a convite da prefeitura, tendo o acompanhamento do secretário municipal de Turismo e Meio Ambiente, Francisco Bezerra Júnior, e do diretor do Departamento de Meio Ambiente, Marino Caldas, e equipe. A arqueóloga Shirlei Martins, professora do Departamento de História da Universidade Federal de Roraima, foi a pesquisadora convidada para auxiliar na visita técnica para fazer o reconhecimento do sítio.

A Pedra do Sol fica localizada em uma propriedade particular, na vicinal 22 de São Luís do Anauá, com acesso pela BR-210. Segundo Marino Caldas, ela está em processo, desde 2001, para ser definitivamente reconhecido como um sítio arqueológico Pré-Colombiano Inca.

A superintendente do Iphan em Roraima, Carla Gisele Moraes, explicou que o objetivo da visita foi avaliar o potencial do sítio, onde existem vários petrogrifos com desenhos Incas de lhamas, serpentes emplumadas e símbolos diversos, principalmente o sol. “Este sítio arqueológico possui inscrições de baixo relevo em pedras, figuras geométricas, antropomórficas, sendo que algumas parecem pessoas, outras animais e há em destaque a figura de um sol. Nós levantamos o estado de conservação do sítio, como está o reconhecimento, identificação e mapeamento”, comentou.

Carla Gisele contou que a visita também contemplou uma avaliação do potencial arqueológico e cultural do município, no sentido de apoiar as atividades de fomento ao patrimônio cultural que vêm sendo desenvolvidas naquela localidade. “Foi o nosso primeiro contato com o sítio. A prefeitura tem a intenção de criar um roteiro de visitação nesse sítio, onde é feito um controle para mantê-lo preservado. Visitamos pontos turísticos, como o balneário da vicinal 19, o rio Anauá, local muito frequentado pela população local”, contou.

O Iphan vislumbra a possibilidade de desenvolver ações futuras de conscientização da comunidade e valorização do patrimônio local através de parceria com a prefeitura municipal, Universidade Estadual de Roraima e outras instituições.

INVENTÁRIOS - A superintendente contou que o Iphan está desenvolvendo um inventário dos sítios na região Nordeste do Estado, mas existe certa dificuldade de acesso aos sítios arqueológicos porque muitos estão em propriedade particular na zona rural ou em terras indígenas.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

O Brasil desconhece a cultura amazônica.


O Brasil só conhecerá verdadeiramente a sua cultura a partir do momento que começar a interessar-se pela cultura amazônica. É um contrasenso afirmarmos que o Brasil se interessa e valoriza a sua cultura enquanto este país desconhece a cultura amazônica, seu patrimônico cultural maior. E, se desconhecemos o nosso patrimônio cultural maior, podemos nos considerar culturalmente órfãos. Se os ministérios competentes, os intelectuais e a mídia brasileira não sabem o que é o Lago Parima, deduzimos com segurança que ignoram completamente a cultura amazônica. Não é à toa que estamos nos transformando em patéticas caricaturas dos americanos e europeus, nunca nos precupamos em criar uma identidade cultural nacional que exaltasse os nossos aspectos culturais mais valorosos, pois nem mesmo conhecemos a maior parte desses aspectos.

domingo, 9 de maio de 2010

Aqui jaz sepultado no esquecimento o extinto Lago Parima do El Dorado, pródigo berço do mais glorioso e épico capítulo da história brasileira.


Foto da gigantesca savana parcialmente alagável na atualidade situada no complexo das bacias dos rios Parima(Branco) e Rupununi,respectivamente localizados em Roraima e na Guiana. Essa região abriga o patrimônio cultural material maior brasileiro por representar a silhueta histórica do mundialmente célebre El Dorado, consituída pelo mar interior extinto de gigantescas dimensões tido historicamente como o marco geográfico daquele, chamado Lago Parima(e), Manoa ou Rupununi. Sem qualquer sombra de dúvida, constitui o pior caso de negligência patrimonial da historia do Brasil a omissão dos órgãos governamentais em relação à descoberta do grande Lago Parima do El Dorado feita em 1987 por Roland Stevenson e codescobridores. Se o El Dorado foi esquecido como realidade histórica e banido do panteão dos grandes patrimônios culturais materiais brasileiros quando o Lago Parima foi tido como mera lenda pelos naturalistas do sec. XIX, ele merece ser restituido à celebridade semelhante àquela que teve no passado a partir do momento em que é descoberto, considerando que isso derruba definitivamente a visão de tais naturalistas que o colocou exclusivamente no campo do legendário.

sábado, 8 de maio de 2010

Por que se calaram ante ao descobrimento do Lago Parima do El Dorado os grandes heróis brasileiros?


Não nos causa estranhamento o silêncio em relação à descoberta do Lago Parima e da Província Mineral do El Dorado que tem se abatido sobre os setores medíocres da política, da mídia , da ecologia, da cultura brasileiras, etc., mas sim o silêncio de nossos heróis e grandes homens em torno dessa descoberta. No "país do Carnaval" , é perfeitamente previsível que um assunto de tamanha seriedade seja tratado de forma carnavalesca pelos estriões e arlequins que se fizeram reponsáveis pela construção daquela alcunha depreciadora que tornou-se o símbolo de nossa nação no mundo. Sendo assim, prevíamos que a nossa grande descoberta seria tratada dessa forma pelos homens medíocres e baixos que fizeram de nossa nação uma piada tragicômica e, infelizmente, se tornaram a maioria no cenário da mídia, da cultura, da educação , da política, da ecologia, do indigenismo brasileiros, etc., maioria esta que ,a cada dia ,consolida através de suas ações públicas carnavalescas as mazelas culturais implícitas na simbologia da expressão "país do Carnaval". O que nos causa estranhamento é o silêncio em relação a essa descoberta não dos medíocres e baixos, mas dos grandes e tão meritosos heróis brasileiros ,que sempre se recusaram a sorver cálice do silêncio dos omissos e, se não fosse pela oposição dos mediócres e baixos que imperam em nosso país, teriam feito com que o Brasil realizasse plenamente a sua vocação para tornar-se uma potência econômica ,cultural e ecológica. É verdadeiramente estranho que, embora alguns desses grandes heróis façam ou tenham feito parte do atual governo, todos eles tenham se calado e tratado de forma carnavalesca e omissa a descoberta do Lago Parima e da Província Mineral do El Dorado. E o nosso grande Presidente Lula, cuja história de vida é permeada pelo heroísmo dos não compactuantes com o silêncio, será que em relação ao El Dorado ele preferiu imputar-se uma mordaça? E o que falar dos grandes heróis de nossa cultura que, apesar das penosas adversidades que lhes foram imputadas por forças que tentaram a todo custo impingir-lhes o silêncio, negaram a beber desse cálice e falaram contra a vontade daquelas, presenteando o nosso povo com uma das mais importantes músicas do mundo? E por que se calaram os nossos grandes repórteres que, desde a época da ditadura ,lutaram e lutam heroicamente para que sua profissão liberte-se do jugo remanescente daquele tempo e que perdura parcialmente até hoje , continuando a fazê-la refém da omissão, do silêncio e da parcialidade? Por que se calaram em relação à nossa descoberta todos esses heróis ,que desde a época da ditadura lutaram por nossa cultura e por nossa nação e não aceitaram beber o acérrimo cálice do silêncio, mesmo que esse cálice fosse empurrado à força por suas gargantas esgarçadas? E os nossos grandes padres libertadores que tornaram-se símbolo da resistência ao silêncio imposto pelos ditadores e, como santos mártires, em razão de se negarem a beber desse cálice ,enfrentaram cruentas torturas e suplícios , por que se calaram ante a essa descoberta? Estarão mortos ou aposentados os nossos grandes heróis? Se estiverem mortos os entenderemos ,pois mortos não levantam de suas furnas, mas se tiverem apenas se aposentado, devemos lhes dizer que heróis não se aposentam, a menos que abneguem do título de heróis e se rendam à mediocridade. Ou talvez acreditem que a nossa descoberta não seja tão importante quanto eles, não estando à altura de ser tratada pelos baluartes vivos de nossa cultura e história que se tornaram. Ora, nesse caso os "baluartes vivos de nossa cultura e história" se colocariam como ególatras aduladores acima dessa própria cultura. Se o El Dorado não é tão importante para eles, devem estar se considerando verdadeiras divindades, mas deuses não são heróis, e sim sempiternos imortais.



sábado, 1 de maio de 2010

Carapaças de Moluscos Bivalves Encontradas no Leito do Extinto Lago Parima do El Dorado.


A coleção de carapaças de moluscos bilvalves da malacóloga Regina Corrêa exibida na foto acima retirada da grande obra de Roland Stevenson "Uma Luz dos Mistérios Amazônicos", constitui uma das inúmeras provas acerca da descoberta do extinto Lago Parima do El Dorado. Lembremos que estas carapaças, algumas de datação recente, foram coletadas em regiões não mais alagáveis na atualidade da grande savana amazônica parcialmente inundável situada na depressão dos rios Parima (Branco)/Rupununi de Roraima e da Guiana, demostrando ter existido nessa região o gigantesco lago do El Dorado, que tinha o mesmo nome de tais rios e era historicamente colocado nessa mesma região. Lembremos também que essa gigantesca savana de 80.000 quilômetros quadrados possui dimensões semelhantes àquelas que eram reputadas historicamente ao Lago Parima.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Linhas da água e praias do extinto Lago Parima, Manoa ou Rupununi, o grande mar interior da Amazônia relacionado historicamente ao El Dorado.




As fotos acima mostram as marcas da linha da água do extinto Lago Parima,Manoa ou Rupununi, descoberto em 1987 por Roland Stevenson e codescobridores, lago este tido historicamente como um mar interior de água salgada ou salobra do norte amazônico de dimensões comparadas ao Mar Cáspio que constituía o marco geográfico da Província Mineral do El Dorado. Essas linhas da água que circundam as elevações e montanhas do perímetro da savana bastante plana, impermeável e sazonavelmente alagável na atualidade, localizada na depressão da bacia dos rios de mesmo nome chamados Parima (Branco) em Roraima e Rupununi na Guiana, marcas estas perfeitamente horizontalizadas e niveladas a 120 metros a.n.m., constituem a prova definitiva de que o Lago Parima do El Dorado existiu de fato no passado recente. Lembremos que essa gigantesca savana amazônica de 80.000 quilômetros quadrados denominada em Roraima de Campos de São Marcos é situada em uma região que fatalmente deveria abrigar matas mais densas em razão dos motivos que serão minuciosamente citados no decorrer desse blog, além de encontrar-se exatamente na região considerada historicamente a localização clássica do Lago Parima do El Dorado. Mais ainda, essas linhas da água são em muitos casos representadas por gigantescas praias, com a imensa quantidade de areia comum a estas, tendo sido inclusive a capital Boa Vista contruída em sua maior parte com a areia dessas praias,o que talvez seja inclusive um caso de segurança pública por pooder talvez representar riscos para a construção civil. Não podemos apontar outra razão para o fato dessa savana apresentar em seu perímetro tais praias e linhas da água perfeitamente niveladas, senão aquela que indica ter ela constituído o leito um gigantesco lago recentemente extinto. Seria essa linha perfeitamente nivelada obra de um prodigioso acaso? É mais difícil ainda consideramos isso mera obra do acaso se observarmos que as menções históricas e tradições indígenas afirmavam de forma recorrente a existência de um gigantesco lago nessa exata região.Para nós, não é fruto de um prodígio sobrenatural essa linha perfeitamente nivelada a 120 a.n.m. que contorna essa savana quase continuamente em todo o seu perímetro, interrompendo-se somente nas regiões já modificadas pela ação humana, em tudo semelhante a uma linha da água de um grande lago extinto. Lamentavelmente, tais linhas d`água estão sendo destruídas pelos extratores de areia e tratadas de forma totalmente omissas pelas autoridades e pela grande mídia brasileira.Para nós,tais linhas valem muito mais culturalmente do que o Carnaval plastificado que esta tem exportado como o nosso símbolo nacional. Chamamos atenção para foto de baixo, na qual o geólogo do DNPM e codescobridor do lago Parima Gert Woeltje verifica em campo o nível das linhas d`água, o que levou-o a concluir serem marcas feitas na areia e na terra de um gigantesco lago extinto recentemente, por se apresentarem muito bem visíveis até os dias de hoje e por se situarem sempre na altitude de 120 a.n.m. O gigantesco valor cultural dessas linhas da água se deve ao fato de representrem a silhueta histórica do mundialmente célebre El Dorado, além de permitir-nos concluir seguramente ser a Província Mineral do El Dorado do Parima a valiosíssima província mineral cuja a existência já é comprovada nessa região. Mas, no "país do Carnaval", cujo símbolo nacional maior artificialmente criado remete às nossas piores mazelas culturais, o El Dorado está sendo esquecido pelos brasileiros, o que parece uma piada tragicômica semelhante àquela representada por nosso aviltante símbolo nacional. A grande mídia brasileira tem que reconhecer o seu papel como fomentadora e consolidadora do estabelecimento de uma identidade cultural nacional que simbolize os aspectos mais edificantes de nossa cultura, de forma a contribuir para a debelação dos aspectos culturais patológicos que adqurimos desde a época da colonização. A partir do momento que a grande mídia brasileira se exime o exercício desse papel pedagógico e se considera uma indústria com fins exclusivamente comerciais, acaba por incorrer no risco de tornar-se um agente da aculturação nacional.

domingo, 4 de abril de 2010

Para a imensa maioria dos brasileiros somos o país do Carnaval, e não o país do El Dorado.


Não que queiramos diminuir de forma ilegítima o incontestável valor cultural do tradicional Carnaval para a nossa nação, contudo devemos refletir muito sobre as consequências de colocarmos a emblemática dança da mulata e o Carnaval pasteurizado (anti-tradicional) como o símbolo maior de nossa cultura no mundo. Pode mostrar-se muitíssimo perigoso, se colocado como o símbolo maior da cultura de nossa nação, o reboleante gingado das nossas exuberantes negras e mulatas desnudas, embora seja aquele uma expressão dadivosa da sensualidade não reprimida corporificada por nossas valiosíssimas heranças culturais africanas, assim como uma dança de inegável beleza estética e valor cultural, além de fazer-se em seu estado não distorcido fonte de saúde psíquica para as suas dançarinas, em razão de comumente significar menor conteúdo inconsciente recalcado para aquelas que praticam tal dança assiduamente desde a infância. O problema não é representado de nehuma forma pelo Carnaval e pela referida dança exuberante em si mesma, mas pela distorção do conteúdo simbólico desta operada sobretudo pelos estrangeiros e pelos setores domininantes da grande mídia nacional, quando tal dança é colocada por essa mídia como o símbolo maior de nossa nação. Isso acaba por inferiorizar nossas mulatas, fazendo com que sejam vistas por muitos estrangeiros como objetos de desejo sexual quase desprovidos de alma e de sentimento, através da consolidação feita pela mídia nacional da antiga imagem deformada do Brasil como um paraíso carnal. Em razão de tanto consolidarmos essa imagem através de nossa grande mídia, acabamos por incorporá-la, dia após dia tornando-nos mais sexual e moralmente permissivos, e estamos verdadeiramente nos transfigurando paulatinamente no paraíso sexual e no inferno moral implícito na expressão "país do Carnaval", se vista através desse ambiente semântico específico. Mas, nossas negras e mulatas da época da escravidão via de regra não eram libidinosos objetos sexuais de baixa moral desprovidos de alma, e sim mulheres nobres de caráter e moralmente respeitáveis, exacravelmente violentadas e deformadas pelos colonizadores. Nesse caso, os moralmente e sexualmente permissivos eram os colonizadores, e não as escravas negras. Contudo, os colonizadores europeus nunca aceitaram ser simbolizados pela imagem de moralmente e sexualmente permissivos, pois eles sempre ocultaram suas depravações, transformando em seus símbolos maiores os apectos positivos e edificantes de sua cultura, de forma a criar uma identidade cultural que reforçasse tais aspectos. E nós, por ironia do destino, reforçamos a imagem mórbida de uma nação licenciosa e moralmente baixa, deformamos nossa cultura , aceitamos ser simbolizados por tal título historicamente imerecido, e, por fim, acabamos por tranformá-lo na marca maior de nossa identidade nacional. Hoje, podemos dizer que somos verdadeiramente o país do Carnaval! O Samba de Raíz ,o Candomblé, o Bumba- Meu-Boi (nordestino), o Maracatu, a Capoeira, o Congado, etc. são autênticas ,saudáveis e edificantes manifestações da cultura afro-brasileira, e não o Carnaval pasteurizado e esterilizado anti-tradicional tão conhecido no exterior e reforçado pela mídia nacional.

Desde a época da escravidão, a sensual dança tribal da belíssima negra desnuda tomou fama internacional, devendo-se em parte à criação e ao reforço da deformada e abominável imagem da "negra licenciosa"associada a tal dança o fato de tantos portugueses terem aqui desembarcado sem suas esposas em nosso passado. A belíssima sensualidade personificada por aquelas danças tribais foi deformada pela visão ibérica colonial, tornou-se símbolo e motivo de desgraças e das mais repudiosas desonras ao sagrado sexo das violadas negras, transformando a dadivosa virtude de uma sensualidade não reprimida em fonte dos abusos mais condenáveis. Hoje, não por obra do mero acaso, assim como na época da escravidão, um número alarmante de pessoas vem ao nosso país em busca de sexo fácil, descompromissado e ardente , fazendo com que o Brasil receba na atualidade o título de capital mundial do turismo sexual, o que é uma vergonha nacional. Os colonizadores europeus acabaram por ter como sexualidade não reprimida o que era apenas sensualidade não reprimida, e comumente o cidadão médio da Europa continua a pensar dessa forma em realação a nós até os dias de hoje, o que pode até ser de certo modo verdadeiro, se aplicado restritamente à atualidade.

Divulgamos atualmente para o exterior como símbolo máximo de nossa nação a mesma imagem que foi motivo da violação e desonra das nossas negras no pasado. A virtuosa sensualidade pouco reprimida da negra e da mulata continua sendo vista em geral de forma distorcida e mórbida pelos estrangeiros, fazendo com que aquela continue a ser profanada,da mesma forma que o foi na época colonial. E isso tem nos acarretado danos culturais terríveis, uma vez que aceitamos tal visão estrangeira deformada acerca de nós mesmos, transformando-nos lenta e inexoravelmente em tal deformação. Devido sobretudo ao fato de termos feito do Carnaval o nosso símbolo nacional maior, é sem dúvida ainda muito comum no exterior a visão desonrosa e distorcida derivada da época escravagista que coloca as nossas exuberantes negras e mulatas como pessoas culturalmente inferiores ,dotadas de uma permissiva sexualidade exacerbada ocasionada pelo não refreamento de seus impulsos primitivos, o que colocaria tais negras, segundo essa mórbida visão, na qualidade de meros objetos para a realização dos prazeres mais extravagantes. Ao invés de trabalharmos para nos desvincular da imagem criada na época colonial de que o Brasil é um paraíso sexual suavizando a divulgação desse aspecto de nossa cultura e elegendo outro maior como o nosso símbolo, quando fizemos do Carnaval o nosso emblema nacional, acabamos por reforçar aquela perniciosa imagem de que deveríamos nos desvencilhar. Os nossos três emblemas maiores e mais reforçados pela mídia nacional são de país do Carnaval, do futebol e do "jetinho brasileiro".Enquanto isso, quase nada divulgamos sobre a Cultura da Amazônia, em razão de desconhecermos os aspectos maiores desta. O que divulgamos sobre a Cultura da Amazônia é um tosco simulacro de sua verdadeira grandeza.

O Brasil, em consequência disso ,desde a época da escravidão é tido como um luxuriante paraíso sexual, e isso não é nada bom para a consolidação e o estabelecimento da identidade cultural de nosso país . A antes saudável sensualidade de nosso povo continua a ser violentada e distorcida, assumindo atualmente um caráter culturalmente patológico advindo dessa distorção. Sendo assim, para o bem de nosso povo o Carnaval anti-tradicional deveria ser por nós tido como algo de importância cultural secundária, e não como o seu patrimônio cultural maior, o qual deveria ser edificante e engrandecer o valor da cultura brasileira no mundo. Para nós, o Brasil sempre será o país do El Dorado do Parima, do Sumé, das Amazonas, do Peabiru, da música de Villa-Lobos . Mas o brasileiro em geral desconhece esse Brasil grandioso.

Mas, infelizmente, para a maioria das pessoas ,assim como para a emissora de que tratamos na postagem anterior, o Brasil é o país do Carnaval, sendo este o seu símbolo maior, não é à toa que nossa nação está se transformando em uma piada tragicômica, com políticos corruptos que se portam como pantafaçudos estriões e arlequins, os quais se tornam objetos não de escárnio e condenação, mas de chacotas do nosso povo carente e aculturado. Talvez o Brasil acorde de seu transe carnavalesco depois que perder uma boa parte da Província Mineral do El Dorado do Parima para nações mais sérias e amadurecidas. Ou talvez o Brasil transforme uma eventual perda de parte da Amazônia em mais uma patética piada, pois aqui é o país do Carnaval! Enquanto o El Dorado do Parima é esquecido por nossas autoridades, o Brasil investe centenas de milhões no Carnaval! Brindemos, pois, a esse transe carnavalesco para não acordarmos diante da triste realidade de que tratamos.

Essa é a imagem predominante que os estrangeiros médios têm sobre o "país do Carnaval", e isso não é nada bom para nós.




segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Reparando uma injustiça histórica cometida por um programa da mídia brasileira contra a grande descoberta do extinto Lago Parima do El Dorado







No ano de 1993, um importante programa dominical de rede nacional da televisão brasileira cujo nome devemos aqui preservar, fez uma reportagem infeliz sobre a descoberta do Lago Parima ,que poderá ser futuramente considerada um dos maiores e mais injustos atentados contra o patrimônio histórico de um país cometidos por sua própria mídia. É sabido que na emissora responsável pelo programa de que tratamos existem grandes e respeitáveis repórteres e dirigentes que jamais seriam compactuantes com este atentado sem precedentes contra o patrimônio cultural e histórico do país aonde são estabelecidos, por isso exortamos estes a zelarem no caso pertinente pelos princípios da ética jornalística acerca da imparcialidade e isenção na emissora de que pertencem, clamando aos responsáveis por tal programa que reparem esse erro verdadeiramente terrível. Recentemente ,foi feita uma carta ao chefe de redação de tal programa com um pedido de reparação deste terrível erro, mas ,infelizmente, tal pedido foi injustamente negado, num ato de violência contra o nosso patrimônio, cultura e história ,assim como às tradições indígenas relacionadas, exaradas de forma recorrente pelos cronistas coloniais, o que no futuro deverá ser julgado pelos tribunais da história.Sem qualquer dúvida, foi um grande erro do chefe de redação desse programa negar tal pedido de reparação, considerando que a referida reportagem foi visivelmente parcial e tendenciosa, em parte devido aos motivos abaixo rapidamente mencionados.
Um geólogo argentino cujo nome é aqui preservado, que na época tinha apenas 28 anos e nunca havia pisado nem pesquisado em campo a grande Savana Parima/Rupununi de Roraima e da Guiana, foi convidado a dar sua entrevista ,na qual afirmava sem embasamento e de forma rápida e descuidada que o Lago Parima nunca existiu e que tal savana sempre havia sido um deserto, invalidando precipitadamente a descoberta de que tratamos sem nem mesmo analisá-la em campo ,e negligenciando as provas apresentadas por Roland Stevenson e codescobridores. Tal geólogo não tinha nenhuma experiência na região além de não ter apresentado nenhuma prova baseada em dados de campo que confirme a teoria que defende, não podendo ,portanto, tratar do assunto de forma embasada. Diante disso, por que a repórter convidou esse geólogo a dar sua entrevista? Já, os respeitados geólogos brasileiros da Amazônia coparticipantes da descoberta, com experiência em estudos de campo na região que supera a jovial idade então apresentada por aquele pesquisador de gabinete argentino, não foram convidados a prestar seu pareceres, nem a exporem com a calma necessária as diversas provas acerca da descoberta. Não podemos entender o motivo que levou o jornalista pertinente a não filmar nem analisar as marcas horizontais nas montanhas e elevações que circundam a savana de Roraima, as quais são uma prova inequívoca da descoberta do Lago Parima, em razão de só poderem constituir as marcas da linha da água de um gigantesco lago extinto. Ora, se tais marcas são perfeitamente horizontais e se apresentam sempre no mesmo nível (120 a.n.m.), elas só podem constituir as reminiscências da linha da água de tal lago. Pedimos aos nossos eventuais opositores que nos expliquem o que mais poderiam ser tais marcas. E ,por que essa jornalista não filmou as carapaças de moluscos bivalves e diatomitos típicas de regiões submersas, algumas de datação recente, encontradas por especialistas em regiões atualmente não alagáveis dessa savana, o que, por si só, prova que tal geólogo estava equivocado?Ora, se as carapaças de diatomitos e moluscos bivalves podem ser encontradas em toda essa savana , obviamente tal região não foi sempre um deserto. Da mesma forma, o repórter não se interessou em filmar os grandes e típicos ambientes eólicos e praiais existentes no perímetro da savana. Poderiam existir por obra do mero acaso essas grandes praias e aquelas marcas horizontais perfeitamente niveladas, em tudo semelhantes a linha da água de um gigantesco lago extinto? E as ilhas de vegetação densa situadas acima de 120 metros a.n.m., encravadas sem qualquer outra explicação dentro dessa savana graminosa , o que mais poderiam ser senão verdadeiras ilhas de um lago extinto recentemente? Por que podemos observar facilmente uma nítida diferença entre a vegetação situada acima de 120 metros a.n.m. e a que se localiza abaixo de tal altitude, se 120 metros a.n.m. não representa o limite topográfico de uma região submersa no passado recente?E por que não foram tratadas nessa reportagem as diversas menções históricas que indicam claramente que essa savana está se secando, ao mostrar-nos que as inundações ocorridas sazonalmente no sec. XIX eram muito superiores aos alagamentos sazonais ordinários que sucederam no sec. XX? Sinceramente, não podemos entender os motivos que levaram o repórter de que tratamos a não filmar nem analisar todas essas evidências, assim como as razões que levaram o chefe de redação a negar aquele pedido de reparação. Stevenson e codescodescridores não desejam de nenhuma forma processar tal programa televisivo por ser poderosíssima a emissora relacionada. Deixemos então que o tempo e a história naturalmente façam com que tal programa reconheça seu lamentável erro, pois uma grande descoberta científica nunca pode ser eternamente eclipsada, e os tribunais da história são os mais severos juízes e algozes. Com certeza,tais tribunais julgarão tal programa de forma muito mais severa do que aquela que agora o julgamos. Seria demasiada prepotência para um repórter de qualquer emissora televisiva, por mais poderosa que seja esta, acreditar possuir força superior aos inexoráveis tribunais da história, cujo poder muitas vezes condena e excede o dos mais poderosos impérios.
Sabe-se que na emissora de que tratamos existem grandes jornalistas e dirigentes, devotados profundamente à ética profissional, por isso pedimos a estes que não permitam que reportagens como esta venham a manchar a imagem de tal emissora. Por fim, é preciso dizer que a Província Mineral do El Dorado tem um valor financeiro bem superior ao daquela emissora, o que deve impor aos seus repórteres o dever ético de tratar desse assunto com responsabilidade muitíssimo maior e com a mais imaculada e ponderada isenção, afim de não comprometerem também a emissora de que pertencem nos tribunais da história, em relação a algo que possui um valor financeiro exorbitante. Essa emissora, composta em grande parte por respeitáveis dirigentes e repórteres, não merece arcar com qualquer responsabilidade sobre aquela matéria infeliz feita por um de seus jornalistas, mas ,se tais dirigentes não tomarem providências para reparar o referido erro, tal emissora acabará por colocar sobre seus ombros tal responsabilidade. Reportagens tendenciosas com essa nos levam a meditar sobre as razões que resultaram numa vertiginosa queda da credibilidade da mídia brasileira junto aos cidadãos desse país, tal como aponta uma recente pesquisa do Vox Populi encomendada pelo Centro de Referência do Interesse Público (Crip), cabendo sobretudo aos grandes jornalistas de nossa nação a tarefa de lutar para reverter tais estatísticas, tão desonrosas à reputação do setor que representam.